As causas médicas da zigomicose
Redação
A zigomicose (mucormicose) é uma infecção rara, mas altamente invasiva, causada por fungos da ordem Mucorales (gêneros Rhizopus, Mucor, Rhizomucor, Absidia, Apophysomyces, Saksenaea, Cunninghamella, Cokeromyces e Syncephalastrum). Esse tipo de infecção é usualmente associado a doenças hematológicas, cetoacidose diabética e transplante de órgãos.

É uma doença hematológica de base (malignidades hematológicas): a maioria dos pacientes apresentou doenças malignas hematológicas de base (relatos de séries clínicas). Neutropenia prolongada: identificada como condição de alto risco (citada em indicações de profilaxia antifúngica).
Recipientes de transplante de células-tronco hematopoiéticas / transplante de medula óssea: descritos como grupo de alto risco; em séries, metade dos pacientes com zigomicose havia recebido transplante de medula óssea.
Pacientes imunocomprometidos e/ou com resposta refratária ou intolerância à terapia antifúngica prévia: muitos casos ocorreram em contexto de imunossupressão e como infestação em pacientes refratários ou intolerantes às terapias anteriores.
Contexto clínico observado em séries: Locais de infecção relatados: seios paranasais, pulmão e pele; foram também observados casos de doença disseminada. Trata-se de uma infecção fúngica incomum, causada por fungos da classe dos zigomicetos, ordem Mucorales e Entomophthorales. A entomoftoromicose apresenta-se usualmente como uma infecção subcutânea, ocorrendo em zonas de clima tropical.
A mucormicose é causada por patógenos oportunistas, raramente gerando doença em pacientes imunocompetentes, originando principalmente processos que levam à neutropenia ou à disfunção dos neutrófilos. Depois da aspergilose e da candidose, a mucormicose é a terceira infecção fúngica invasiva mais comum, representando 8,3-13,0% de todas as infecções fúngicas encontradas em autópsias de pacientes hematológicos.
Na mucormicose, o gênero fúngico mais frequente é Rhizopus; entretanto, outros organismos associados com infecção humana são do gênero Mucor, Rhizomucor, Absidia, Apophysomyces, Saksenaea, Cunninghamella, Cokeromyces e Syncephalastrum. A apresentação clínica correlaciona-se com as condições predisponentes do hospedeiro.
O curso clínico da doença e a evolução costumam ser fulminantes, devido ao crescimento rápido do fungo e a destruição paralela dos tecidos, o que demanda diagnóstico precoce e pronto tratamento clínico e cirúrgico. A maioria dos casos ocorre em pacientes leucêmicos.
No que se refere à mucormicose rinocerebral, caracteristicamente o paciente é diabético com cetoacidose, que no Brasil corresponde à principal manifestação descrita da micose. Porém, as publicações são incompletas, pois não apontam o agente etiológico.
As manifestações pulmonares ocorrem em pacientes com câncer ou naqueles submetidos a transplante de medula óssea, enquanto infecções cerebrais e disseminadas predominam em usuários de drogas de abuso intravenosas e em pacientes que recebem deferoxamina. A mucormicose é menos comum em pacientes com AIDS porque a imunidade mediada por células T não é considerada um fator importante para desencadear a infecção.
O pulmão é o segundo local mais acometido por mucormicose, e a inalação de esporos é a principal rota de infecção. A apresentação clínica é indiferenciável da aspergilose pulmonar invasiva. Pacientes com leucemia e linfoma correspondem à maioria dos casos (37%), seguida de diabetes melito (32%).
Essa alta prevalência pode estar relacionada ao grande número de pacientes com diabetes, comparados com aqueles com doenças hematológicas malignas. Leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e neutropenia grave promovem um maior risco de desenvolvimento de mucormicose pulmonar quando esses quadros estão relacionados com as outras apresentações clínicas da micose.