As caracterizações médicas da hipoglicemia
Redação
A hipoglicemia é a presença de níveis excepcionalmente baixos de açúcar (glicose) no sangue.A causa mais comum da hipoglicemia são os medicamentos tomados para controlar o diabetes. Causas muito menos comuns da hipoglicemia incluem outros medicamentos, doença crítica ou insuficiência de órgão, uma reação a carboidratos (em pessoas suscetíveis), um tumor produtor de insulina no pâncreas e alguns tipos de cirurgia bariátrica (para perda de peso).

A hipoglicemia nível 1 é considerada leve: glicemia entre 54 a 69 mg/dL. Tratamento: 15 g de carboidrato de ação rápida (ex.: 1 colher de sopa de açúcar ou mel, 150 mL de suco comum, 1 fruta ou 4 bolachas maisena). Evitar sobremedicamentação para não provocar hiperglicemia rebote.
Hipoglicemia nível 2 — glicemia abaixo de ~54 mg/dL: limiar para ocorrência de sintomas neuroglicopênicos (dificuldade de concentração, confusão mental, alteração da visão, tonturas). Requer ação mais imediata; se consciente, oferecer 30 g de carboidratos (mel, açúcar, gel de carboidrato).
Hipoglicemia nível 3 — evento grave (sem valor glicêmico específico definido): evento com estados mentais ou físicos alterados que indica intervenção de emergência.
Administração excessiva de insulina; perda/atraso de refeições; exercício físico acima do habitual; doenças infecciosas com vômito/diarreia; alterações na necessidade de insulina; doenças endócrinas (suprarrenal, hipófise, tireoide); disfunção renal ou hepática progressiva.
Interações medicamentosas: coadministração com hipoglicemiantes orais, salicilatos, sulfas, alguns antidepressivos; uso concomitante de betabloqueadores e outros simpatolíticos pode atenuar os sintomas adrenérgicos de hipoglicemia. Consumo de álcool associado a supressão de refeições aumenta o risco.
As manifestações clínicas incluem os sintomas de leve a moderada gravidade (podem ocorrer subitamente): sudorese, tontura/vertigem, palpitação, tremor (mãos, pés, lábios ou língua), fome, inquietação, sonolência, distúrbios do sono, ansiedade, visão embaçada/turva, dificuldade de fala, sensação de cabeça leve, incapacidade de concentração, cefaleia, irritabilidade, comportamento anormal, movimento instável, alteração de personalidade
Sintomas neuroglicopênicos: dificuldade de concentração, confusão mental, alterações visuais, tonturas, convulsões, alteração do estado mental, inconsciência. Hipoglicemia grave pode evoluir para convulsões, coma e morte.
Hipoglicemia nível 1: 15 g de carboidrato de ação rápida (conforme exemplificado no documento). Monitorar resposta (elevação esperada em 15 minutos) e, se a próxima refeição não ocorrer em ~1 hora, ofertar pequeno lanche. Evitar alimentos ricos em gordura que retardem a resposta glicêmica.
Em contexto de sulfonilureias/algumas hipoglicemias prolongadas, recomenda-se observação rigorosa; pacientes devem portar fontes rápidas de glicose (mínimo referido de 20 g de glicose em algumas bulas) e estar sob monitorização, pois hipoglicemias podem reaparecer e, em casos com drogas como sulfonilureias, eventos podem ser prolongados.
Prevenção / considerações especiais: idosos têm maior risco (insuficiência renal progressiva, déficits cognitivos, resposta atenuada). Ajustar metas e terapêutica conforme necessidade; doses iniciais e de manutenção conservadoras com sulfonilureias.
Neuropatia autonômica, longa duração do diabetes, controle intensificado, uso de betabloqueadores ou certos psicotrópicos podem atenuar ou abolir sintomas de aviso — monitorização frequente necessária. Para prevenção de hipoglicemia noturna, recomenda-se lanche antes de dormir com carboidrato/proteína/gordura (ex.: copo de leite) em pacientes selecionados.
Pacientes em uso de insulina ou agentes hipoglicemiantes devem portar fonte rápida de açúcar (balas/drops, tabletes de glicose) e ser orientados quanto ao reconhecimento dos sintomas.
Geralmente, o organismo mantém o nível de glicose no sangue dentro do intervalo de 70 a 110 miligramas por decilitro (mg/dl) ou 3,9 a 6,1 milimoles por litro (mmol/l) de sangue. Na hipoglicemia, o nível de glicose se torna muito baixo.
Embora o diabetes mellitus, uma doença envolvendo os níveis de glicose no sangue, se caracterize por um valor de glicemia elevado (hiperglicemia), muitos diabéticos periodicamente apresentam hipoglicemia devido aos efeitos colaterais do tratamento do diabetes. A hipoglicemia não é comum entre pessoas sem diabetes.
Níveis muito baixos de glicose no sangue podem interferir com o funcionamento de determinados sistemas de órgãos. O cérebro é particularmente sensível aos baixos níveis de glicose, porque o açúcar é sua principal fonte de energia. Para evitar que os níveis de glicose no sangue caiam muito abaixo do intervalo habitual, o cérebro responde estimulando a glândulas adrenais para liberar adrenalina (epinefrina)
Todos esses hormônios fazem com que o fígado secrete glicose no sangue, mas, às vezes, esses hormônios não causam uma elevação no nível de glicose no sangue suficiente para superar a hipoglicemia. Se o nível de glicose no sangue permanecer muito baixo, o cérebro não recebe energia suficiente, o que resulta em confusão, convulsões ou perda de consciência.