A caracterização médica da instabilidade rotuliana
Redação
O joelho é a maior articulação do corpo e a rótula é o osso que se situa na região anterior fazendo a ligação entre os músculos do fémur e os da tíbia, os dois osso envolvidos na articulação do joelho. Reforça e dá estabilidade à articulação permitindo a normal flexão e extensão do joelho. A instabilidade da rótula dá-se quando a rótula desliza para fora da sua articulação com o joelho e provoca dor e dificuldade de mobilização do membro inferior.

A patela ocupa posição anterior do joelho e está ligada à tíbia pelo ligamento patelar. Sob a pele anterior existe uma bursa que pode inflamar em consequência de traumatismo, infecção ou processos reumáticos.
Lesões na região anterior da patela podem manifestar-se como dor local, edema e sensibilidade à palpação. Em atletas, a inflamação na inserção patelar é denominada joelho do saltador.
Em crianças, a inflamação na inserção tibial é conhecida como doença de Osgood–Schlatter. O joelho é frequentemente traumatizado, sobretudo por mecanismos em torção, podendo evoluir desde inflamação articular até lesões de ligamentos, meniscos ou fraturas.
Bursite pré-patelar (inflamação da bursa sob a patela) — associada a trauma direto, infecção ou processos reumáticos. Tendinopatia insercional patelar ("joelho do saltador") — quando a inflamação acomete a inserção sobre a patela.
Lesão associada por mecanismo em torção: comprometimento ligamentar (colaterais e cruzados), lesão meniscal ou fratura — o exame deve investigar essas estruturas.
Assim, a instabilidade da rótula é um problema caracterizada pela sensação de que a rótula (patela) está solta ou fora do lugar, podendo ocorrer tanto durante movimentos específicos quanto de forma recorrente. Esta condição pode ser causada por diversos fatores, incluindo lesões nos tecidos ao redor da rótula, desalinhamentos biomecânicos ou fraqueza muscular.
A instabilidade rotuliana ocorre quando a rótula não permanece adequadamente alinhada durante a movimentação do joelho ( durante a flexão e extensão do Joelho). Isso pode resultar em sensações de deslocamento, falha ou mesmo luxação da rótula durante a atividade física ou movimentos de rotina do dia-a-dia.
As principais causas incluem as lesões nos tecidos moles, como entorses do ligamento patelofemoral medial (MPFL), rupturas do retináculo lateral ou lesões do músculo quadríceps.
O desalinhamento biomecânico, como a síndrome do tracking patelar, onde a rótula não se move suavemente dentro da trilha femoral. Fraqueza muscular: especialmente dos músculos que estabilizam a rótula, como o vasto medial oblíquo (VMO) e os músculos abdutores da coxa.
Os sintomas podem incluir: sensação de instabilidade: Sentir que a rótula está solta ou prestes a deslocar se /a “saltar fora“. Dor: especialmente a volta da rótula, durante a atividade física ou após longos períodos de imobilidade.
Inchaço: Pode ocorrer devido à irritação dos tecidos moles ao redor da rótula. Deslocamento ou luxação: Em casos mais graves, a rótula pode se deslocar completamente para fora do “carril “ do fémur onde a rótula trabalha.
O diagnóstico geralmente envolve o exame físico: avaliação da estabilidade da rótula e testes específicos para detectar desalinhamentos ou défices musculares. Exames de imagem: radiografias, ressonância magnética (MRI) com relações patelo femorais ou tomografia computadorizada (TC) para avaliar ao pormenor a anatomia e detectar possíveis lesões nos tecidos moles e ainda da cartilagem que surgem quase sempre após a primeira luxação.
O tratamento depende da causa subjacente e da gravidade da instabilidade: fisioterapia: exercícios para fortalecer os músculos a volta da rótula, melhorar a biomecânica. Órteses/joelheiras: Talas ou suportes podem ser usados para estabilizar a rótula durante a atividade física.
Cirurgia: em casos de instabilidade repetitiva ou quando a instabilidade é causada por alterações anatómicas e rupturas ligamentares, a cirurgia pode ser necessária para reparar tecidos danificados ou realinhar a rótula. A instabilidade rotuliana é uma condição complexa que pode afetar significativamente a qualidade de vida e a capacidade de se engajar em atividades físicas.
O tratamento e a prevenção eficazes envolvem uma abordagem multidisciplinar que visa corrigir desalinhamentos, fortalecer os músculos e melhorar a estabilidade da rótula. Com uma gestão adequada, muitos indivíduos podem sentir uma redução nos sintomas e uma melhoria na função do joelho.
No entanto a cirurgia tem de ser na grande maioria dos casos realizada sempre que existam luxações objetiva (efetiva) da rótula e ou lesões da cartilagem iniciais decorrentes dos episódios de luxação da rótula. De qualquer forma, deve-se evitar a sobrecarga ou aumentos abruptos na intensidade ou duração dos exercícios.