Os três macacos ou quando a governança escolhe não ver, não ouvir e não falar
Redação
A metáfora dos três macacos pode ser usada para discutir como as estruturas de poder podem enfraquecer a governança corporativa ao ignorar sinais de irregularidades, silenciar alertas técnicos e evitar a formalização de divergências. A omissão também pode ser uma decisão de gestão e porque os conselhos e lideranças precisam garantir que informações relevantes produzam supervisão, responsabilização e memória institucional.

Patricia Punder –
A imagem dos três macacos é conhecida: um cobre os olhos, outro tapa os ouvidos e o terceiro mantém as mãos sobre a boca. No ambiente empresarial, essa representação pode ser lida como uma metáfora para estruturas de poder nas quais a informação existe, mas não produz decisão, supervisão ou responsabilização.
Os três macacos corporativos não são, necessariamente, pessoas específicas, eles podem representar uma forma de governança em que a alta administração preserva a autoridade, mas reduz deliberadamente os mecanismos capazes de vincular poder, conhecimento e responsabilidade. A governança pressupõe clareza sobre quem decide, quem supervisiona, quais informações sustentaram determinada escolha, quais riscos foram considerados e porque uma providência foi adotada ou rejeitada.
Também exige que esse percurso possa ser reconstruído posteriormente, por meio de atas, pareceres, registros de divergência, recomendações técnicas, relatórios de investigação e deliberações formais. Quando esse caminho não pode ser identificado, não há apenas uma falha documental, há um comprometime...