Os sintomas clínicos da cólica biliar
Redação
A cólica biliar é a manifestação clínica da presença de cálculos (pedras) na vesícula. ambém conhecida por litíase, é uma condição frequente. Em geral, são duas a três vezes mais prevalentes na mulher do que no homem.

A cólica biliar é uma dor abdominal associada à passagem ou obstrução por cálculos nas vias biliares. Caracteriza-se por dor tipo “cólica” ou “torcida”, resultante de contrações vigorosas de uma víscera oca na tentativa de vencer um obstáculo.
Pode ocorrer como sucessivas intensificações e alívios e, frequentemente, manifestar-se como dor contínua, e não necessariamente como cólica típica. A localização é no hipocôndrio direito ou quadrante superior direito do abdome. Pode ser referida para a região inferior da omoplata direita.
Desencadeante possível: refeição gordurosa. Sintomas associados à dor intensa: náuseas, vômitos, sudorese, palidez, bradicardia e hipotensão.
Quando há suspeita de inflamação da vesícula biliar, pode-se pesquisar o sinal de Murphy: com o paciente em inspiração profunda, comprime-se o ponto de interseção da borda lateral do músculo reto abdominal direito com o rebordo costal direito. Dor local com interrupção abrupta da inspiração favorece processo inflamatório da vesícula biliar.
O sinal de Murphy apresenta acurácia moderada, com sensibilidade de 65% e especificidade de 87%. Na presença de evidência bioquímica de colestase, a avaliação não invasiva por imagem do fígado e da árvore biliar é mandatória.
A ultrassonografia é usualmente o primeiro exame para excluir obstrução biliar extra-hepática. Tomografia computadorizada ou ressonância magnética também podem ser utilizadas.
A litíase biliar pode causar dor e inflamação e está associada a complicações como colecistite aguda, pancreatite aguda e colangite. Na ausência de inflamação aguda, a abordagem pode ser programada após exames laboratoriais, exames de imagem quando necessários e avaliação pré-anestésica. A presença de inflamação aguda da vesícula ou do pâncreas requer tratamento médico em caráter de urgência, clínico ou cirúrgico, conforme o quadro
Segundo o CRM-MG: Parecer 131, todo e qualquer ato cirúrgico visa restabelecer ou melhorar a saúde do paciente quer seja curando ou amenizando os danos causados por uma doença. A litíase biliar é um processo em que há uma formação de cálculos na vesícula biliar que pode ou não causar dor e inflamação.
Há indicação de colecistectomia (retirada cirúrgica da vesícula) pelos riscos das complicações que podem originar de tal doença. As mais importantes são a colecistite aguda, pancreatite aguda e uma taxa aumentada de câncer da vesícula em comparação que pacientes não portadores de colelitiase.
A calculose da vesícula biliar também pode cursar com a litíase da árvore biliar (cálculo do colédoco) que poderá desencadear um quadro de colangite. Indiscutivelmente a presença de calculose biliar com ou sem cálculo do ducto principal da árvore biliar (colédoco) merecem tratamento cirúrgico. O melhor momento para o tratamento cirúrgico irá depender do quadro clínico do paciente.
Se não houver inflamação aguda poderá ser aguardado o melhor momento para a intervenção, com a realização de exames laboratoriais, de imagem se necessário e avaliação pré-anestésica, tudo com o objetivo de se obter um procedimento cirúrgico mais seguro.
A presença de inflamação aguda da vesícula ou do pâncreas ensejará um tratamento médico em caráter de urgência que poderá ser clínico ou cirúrgico. Nessa situação existiam no passado duas correntes de pensamento médico para a inflamação aguda na vesícula biliar.
Tão logo fosse emitido o diagnóstico que colecistite aguda o procedimento cirúrgico se impunha de imediato. O processo deveria ser “esfriado” realizando-se a cirurgia posteriormente em caráter eletivo.
Esta foi a grande controvérsia dos cirurgiões em tempos idos. O consenso atual é que colecistite aguda deve ser operada em caráter de urgência, salvo se o paciente não tiver condições cirúrgicas e anestésicas como septicemia grave, choque séptico à internação.
Nesse caso o paciente deve ser estabilizado minimamente e então operado. Se tiver condições adequadas, operação imediata.
No quadro de pancreatite aguda oriundo de colelitíase, o paciente deverá ser internado, submetido ao tratamento clínico e após a estabilização dos níveis das enzimas pancreáticas, operado na mesma internação. Nos casos de colelitíase assintomática ou crônica sem sinais de agudização não há indicação para realização de procedimentos cirúrgico de urgência.
Os procedimentos eletivos devem ser previamente avaliados por exames clínicos, laboratoriais e de avaliação pré-anestésica. Não cabe, portanto, a realização de procedimentos eletivos (colelitíase da vesícula biliar) em plantão de urgência e emergência sendo que a realização dos mesmos poderá trazer prejuízos na assistência, quando prestados pelos plantonistas da urgência e emergência.