As causas médicas da oncocercose
Redação
A oncocercose, também conhecida como cegueira dos rios ou mal do garimpeiro, é uma doença parasitária crônica causada pelo verme nematódeo Onchocerca volvulus. É uma doença tropical negligenciada e transmitida pela picada do inseto Simulium (conhecido popularmente como borrachudo ou pium) infectado.

A oncocercose é uma infecção por nematoides filariais (vermes) causada por Onchocerca volvulus. Borrachudos são responsáveis pela transmissão.
Os sintomas são nódulos subcutâneos, prurido, dermatite, adenopatia, atrofia e formação de cicatrizes na pele, e lesões nos olhos que podem levar à cegueira. Realiza-se o diagnóstico pela detecção de microfilárias em amostras de pele, córnea ou câmara anterior do olho; identificação de vermes adultos em nódulos subcutâneos; ou uso de reação em cadeia da polimerase (PCR) para detectar DNA do parasita. O tratamento é feito com ivermectina.
O estudo GBD 2017 Disease and Injury Incidence and Prevalence Collaborators explica que a oncocercose é transmitida por fêmeas das moscas negras (gênero Simulium), que se reproduzem em riachos de correnteza rápida (daí o termo "cegueira dos rios"). Muitas picadas de mosquitos-pólvora são necessárias antes de a doença se desenvolver.
Larvas infectadas, inoculadas na pele durante a picada de um borrachudo, desenvolvem-se até vermes adultos em 12 a 18 meses. Fêmeas de vermes adultos podem viver até mais de 15 anos em nódulos subcutâneos.
As fêmeas medem de 33 a 50 cm e os machos medem de 19 a 42 mm. Vermes fêmeas maduros produzem microfilárias que migram principalmente pela pele e invadem os olhos.
Os nódulos (oncocercomas) subcutâneos (ou mais profundos) que contêm vermes adultos podem ser visíveis ou palpáveis, mas são assintomáticos. Em outros aspectos, são compostos de células inflamatórias e tecido fibrótico em várias proporções. Nódulos antigos podem se caseificar ou calcificar.
Os pacientes podem apresentar aumento dos linfonodos inguinais, femorais ou outros. Edema localizado da genitália e hérnias inguinais podem se desenvolver.
A dermatite oncocercosa é causada pelo estágio microfilarial do parasita. Intenso prurido pode ser o único sintoma em pessoas levemente infectadas.
Em geral, lesões de pele consistem em um exantema maculopapular indefinida associada a escoriações secundárias, ulcerações e liquenificação e linfadenopatia leve a moderada. Outras anomalias da pele podem incluir rugas antes do tempo, atrofia, hipopigmentação irregular e perda da elasticidade.
Nos casos graves, os pacientes podem desenvolver dobras de pele atrófica na parte inferior do abdome e na parte superior do aspecto medial da coxa ("virilha solta"). A dermatite oncocercótica é generalizada na maioria dos pacientes, mas uma forma localizada e nitidamente delineada de dermatite eczematosa, com hiperceratose, escarificação e alterações de pigmento (Sowdah), é comum no Iêmen e Sudão.
O envolvimento ocular varia de alteração visual leve à completa cegueira. Lesões da porção anterior do olho incluem a ceratite pontilhada (floco de neve) ou um infiltrado inflamatório agudo ao redor de microfilárias agonizantes que se resolve sem causar dano permanente; a ceratite esclerosante ou um tecido cicatricial fibrovascular que pode provocar subluxação do cristalino e cegueira e a uveíte anterior ou iridociclite que pode deformar a pupila.