Os riscos da pancreatite aguda
Redação
A pancreatite aguda é uma condição grave em que o pâncreas incha repentinamente e fica dolorido (inflamado). Necessita de tratamento urgente em um hospital.

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas. Pode se manifestar por dor no andar superior do abdome, frequentemente irradiada para o dorso, associada a náuseas, vômitos, febre, sudorese e taquicardia. Também podem ocorrer distensão abdominal, icterícia e hipotensão.
A investigação pode incluir: amilase sérica e urinária; lipase sérica, descrita como mais específica que a amilase; hemograma; painel metabólico; ultrassonografia abdominal; e tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome, conforme a avaliação clínica. O tratamento frequentemente requer internação e pode envolver analgesia, fluidoterapia intravenosa e suporte nutricional.
A alimentação enteral é considerada importante; quando a ingestão oral não é possível, pode ser utilizada sonda para alimentação. Na pancreatite aguda associada à colelitíase, o paciente deve ser internado, receber tratamento clínico e, após estabilização dos níveis das enzimas pancreáticas, ser submetido ao tratamento cirúrgico na mesma internação.
A pancreatite crônica caracteriza-se por inflamação recorrente ou persistente, com dano irreversível do pâncreas. Pode causar dor abdominal recorrente, perda ponderal, esteatorreia e insuficiência pancreática exócrina. A esteatorreia pode apresentar fezes claras, volumosas, de odor forte e com gordura visível.
Segundo, o MS-PCDT: Insuficiência Pancreática Exócrina, a digestão e a absorção dos alimentos ingeridos são processos complexos que envolvem pelo menos três fases. A primeira é a fase luminal, em que os alimentos são digeridos na luz do tubo digestivo por enzimas presentes em secreções ou na borda em escova do epitélio intestinal. A segunda fase é a absortiva, em que há fluxo dos nutrientes da luz do tubo digestivo para o meio interno.
Na terceira fase, os nutrientes alcançam a circulação sanguínea. O pâncreas exerce papel fundamental na fase luminal da digestão, pois secreta para a luz intestinal diversas enzimas fundamentais para essa fase.
Há grande reserva funcional, daí a má absorção de gordura e proteínas não ser aparente até que pelo menos 90% da função pancreática esteja perdida. A principal causa de deficiência pancreática exócrina não genética é a pancreatite crônica.
Outras causas menos frequentes são os tumores pancreáticos, quando causam obstrução do ducto pancreático, e as pancreatectomias totais ou subtotais. A incidência anual da pancreatite crônica tem sido estimada entre 2 e 9 casos por 100.000 habitantes por ano.
O quadro clínico típico da má absorção é a presença de esteatorreia (fezes claras, acinzentadas, volumosas, com cheiro forte, algumas vezes com gotas de gordura visíveis), associada à perda de peso a despeito de uma ingestão nutricional adequada. Alguns raros casos apresentam deficiências de vitaminas lipossolúveis, especialmente da vitamina D, com possibilidade de desenvolvimento de osteopenia e osteoporose.
O objetivo do tratamento é o controle dos sintomas, principalmente da esteatorreia e da desnutrição. A normalização completa da absorção de gorduras é de difícil alcance na prática clínica, não oferece benefícios adicionais e não depende apenas do aumento progressivo da dose de enzimas.
A insuficiência pancreática causa dificuldades na digestão de proteínas e carboidratos, mas o principal problema é a digestão das gorduras alimentares. Portanto, a reposição de lipase em casos de má absorção de origem pancreática normalmente é suficiente para a melhora dos sintomas de má absorção, embora a maioria das apresentações comerciais incluam amilase e protease junto com a lipase.
Os suplementos enzimáticos são normalmente inativados pelo pH ácido no estômago ou destruídos por proteases. Para superar esse problema, existem duas alternativas.
A primeira é a associação de enzimas pancreáticas com a supressão da acidez gástrica, por meio de antagonistas dos receptores H2 ou de inibidores da bomba de prótons. A segunda é a utilização de enzimas pancreáticas preparadas para dissolução entérica.
Em casos refratários, as duas medidas podem ser utilizadas em conjunto. A identificação de fatores de risco e da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado podem gerar um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos.