Publicado em 24 Mar 2020

Número de crianças com obesidade pode chegar a 75 milhões até 2025

Redação

Como tratar um dos maiores problemas de saúde pública, na infância.

Isabela Lorizola

A identificação precoce da obesidade infantil e a introdução de um tratamento adequado são importantes armas para evitar que uma criança obesa se torne um adulto obeso, trazendo grandes benefícios para a sua saúde. No Brasil, mais da metade da população (55,7%) está com excesso de peso, segundo dados da pesquisa Vigitel. Cerca de 12,7% dos meninos e 9,4% das meninas estão obesos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que até 2025 o número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo poderia chegar a 75 milhões, caso nada seja feito. 

A conscientização dos pais sobre os riscos e consequências do sobrepeso para o futuro das crianças e sobre as formas mais adequadas de evitar o ganho de peso é fundamental para a reversão do quadro atual do crescimento da obesidade. A probabilidade de uma criança gorda tornar-se um adulto acima do peso é enorme. Isso porque o número de células adiposas, que retêm gordura, conhecidas como adipócitos, é geralmente definido até os 20 anos. Depois dessa idade, a diminuição da quantidade dessas células pode ser prejudicada, sendo mais difícil de perder.

Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) apontam que esse quadro pode estar relacionado com sedentarismo, peso ao nascer, aleitamento materno, obesidade dos pais e fatores do crescimento. A família deve ficar atenta também a comportamentos que possam causar distúrbios alimentares, como ansiedade e depressão na adolescência.

Um ponto importante é que fatores que geram a obesidade (como sedentarismo, por exemplo) podem ser modificados nesta fase da vida com a introdução de novos hábitos que contribuam para a perda de peso antes de gerar doenças associadas que dificultem o tratamento. O tratamento da obesidade deve ser acompanhado por profissionais de saúde, como nutricionista, endocrinologista e psicólogo.

As famílias devem evitar introduzir dietas restritivas na rotina das crianças ou adolescentes sem orientação, já que isso pode comprometer o desenvolvimento do organismo, além de poder originar compulsões alimentares. O ideal é diminuir progressivamente as calorias consumidas, levando em consideração a qualidade dos nutrientes, e não exagerar nas quantidades. Uma alimentação equilibrada, atividade física e apoio familiar são caminhos para a perda de peso e melhora da qualidade de vida dos pequenos.

O tratamento da obesidade pode ser realizado de diversas formas. A reeducação alimentar por meio da adoção de uma dieta balanceada, que forneça todos os nutrientes em quantidades suficientes, sem excessos. A diminuição progressiva das calorias, pois as dietas muitos restritivas não são recomendadas nestes casos. O ideal é diminuir progressivamente as calorias, levando em consideração a qualidade dos nutrientes.

Deve-se entender a importância de cada refeição: café da manhã, almoço e jantar são as principais refeições do nosso dia e não podem ser substituídas por alimentos que tragam maior teor calórico e menor valor nutricional. Já os lanches podem ser mais leves, compostos por bolachas, frutas, pão.

Horários e frequência das refeições: o nosso organismo também apresenta um relógio e a criação de uma rotina com horários para as refeições contribui para um melhor funcionamento do intestino, por exemplo. Também evita que a pessoa fique longos períodos sem comer. Por fim, um tratamento farmacológico: na ausência de todos os outros tratamentos e somente com acompanhamento médico especializado. É indicado exclusivamente em último caso.

Isabela Lorizola é consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI) - comunicacao@abimapi.com.br

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