Publicado em 14 Jul 2020

O futuro do gás natural no Brasil

Redação

O gás natural será o principal combustível de transição para a economia de baixo carbono, pois é o combustível fóssil que emite a menor quantidade de poluentes. Ele deslocará o consumo de outros combustíveis fósseis mais poluentes, como gasolina, óleo combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP) e diesel, permitindo uma redução de emissões no balanço de gases de efeito estufa (GEE) e particulados em geral. Por isso, é considerado uma fonte de energia essencial para os países honrarem seus compromissos ambientais sem abdicar de sua segurança energética. A International Energy Agency (IEA), em seu relatório World Energy Outlook 2018, revela que a participação do gás natural na matriz energética mundial é crescente há décadas e, em 16 anos, em um de seus cenários, será a principal fonte de energia primária do mundo, posto atualmente ocupado pelo petróleo. A participação do gás natural como fonte de energia já é considerável em diversos países desenvolvidos. No caso brasileiro, seu uso é pouco expressivo, respondendo por cerca 10% da oferta primária de energia. As dificuldades para desenvolver o mercado de gás natural não se limitam somente ao lado da produção do combustível, predominantemente no mar. Um dos grandes gargalos para disponibilizar o produto ao mercado está em sua infraestrutura de escoamento, transporte e distribuição, além de nos desafios de desenvolver novos consumidores na indústria, na termogeração de energia elétrica, no comércio e no uso veicular, em especial, caminhões e ônibus. Em termos de normalização, as mais expressivas ensinam como são os requisitos para a operação de um sistema de suprimento de postos de gás natural veicular (GNV) a partir do gás natural liquefeito (GNL), situados fora de edificações; a manutenção de estações de armazenagem e descompressão de gás natural comprimido (GNC) constituída por módulos de cilindros de armazenagem e seu transporte; além dos requisitos para a injeção de biometano em redes de distribuição de gás natural canalizado.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho – 

Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gás para o Desenvolvimento, revelou que que não é suficiente realizar investimentos somente no lado da oferta de gás natural sem que haja investimentos também na demanda. A oferta proveniente do pré-sal é de gás natural associado à produção de petróleo, ou seja, uma oferta de gás firme.

Essa condição exige que a demanda também seja firme, tais como as demandas industrial, termelétrica na base, comercial, residencial e veicular. Sem um aumento da demanda firme, o investidor nos campos de produção de petróleo e gás poderá continuar preferindo reinjetar o gás nos reservatórios em vez de realizar investimentos em gasodutos de escoamento no futuro.

O gás reinjetado não potencializará a geração de riqueza, valor, arrecadação e empregos para o país. A infraestrutura de escoamento de gás natural deverá estar saturada depois de 2025, o que demandará novos investimentos em gasodutos de escoamento. Como são investimentos complexos, levam-se anos desde sua concepção até sua implementação, ou seja, para um novo gasoduto entrar em operação naquela data, devem-se iniciar seus estudos de viabilidade ainda este ano ou, o mais tardar, no ano seguinte.

Sua estruturação, possivelmente com diversos agentes, demandará esforços adicionais. Para reduzir a reinjeção de gás natural nos reservatórios e aumentar sua oferta por diversas empresa...

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