O sucesso cobra caro e os líderes continuam pagando essa conta
Redação
Chegou-se a um ponto em que bater meta não pode ser justificativa para perder a própria essência. Líderes do futuro não serão os que sobrevivem ao cansaço, e sim os que têm coragem de reconsiderar o modelo que os adoece. É preciso resgatar o sentido do trabalho como parte da vida, não como substituto dela. O sucesso sustentável depende de clareza sobre prioridades pessoais, qualidade das relações e preservação da saúde emocional. A OMS classificou o burnout como fenômeno ocupacional em 2022. Isso significa que não estamos diante de fragilidade individual, mas de uma construção coletiva equivocada.

Éric Machado –
Vivemos um tempo em que a exaustão emocional se tornou sinal de prestígio silencioso. A cultura corporativa celebra quem entrega tudo, mesmo que esse tudo inclua noites sem dormir, relações fragilizadas e a perda gradual da própria identidade.
Segundo pesquisa do LinkedIn com a Opinion Box (2023), 72% dos profissionais brasileiros sofrem de ansiedade relacionada ao trabalho. Esse número não deveria ser apenas alarmante. Ele deveria ser um espelho.
Escrevo este artigo como uma carta aberta a líderes que conquistaram resultados impressionantes, mas que deixaram de reconhecer a própria vida enquanto buscavam o próximo objetivo. É para quem venceu no papel, mas não necessariamente dentro de si.
O modelo de alta performance que domina as organizações tornou-se uma armadilha sofisticada. Muitos executivos vivem como atletas lesionados que seguem jogando para não decepcionar o time ou perder espaço.
De acordo com estudo da McKinsey (2023), profissionais de alta performance têm até 2,5 vezes mais probabilidade de desenvolver exaustão emocional do que colegas de cargos médios. Não é falta de disc...