Os riscos e o tratamento da hipertensão na gestação
Redação
'A hipertensão arterial sistêmica é uma doença crônica de causa multifatorial, caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial, geralmente não associada a sintomas. Contudo, frequentemente, ela é associada às alterações funcionais ou estruturais de órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas.

A hipertensão arterial (HA) na gestação é uma condição crítica que pode levar a complicações significativas tanto para a mãe quanto para o feto. Os principais riscos associados incluem os descritos a seguir.
A hipertensão pode evoluir para pré-eclâmpsia, caracterizada por hipertensão e proteinúria, e em casos graves, pode levar à eclâmpsia, que envolve convulsões. Pode aumentar o risco de complicações como hemorragia, necessidade de cesariana e outras complicações no parto.
Pode resultar em restrição do crescimento intrauterino, morte intrauterina e outras anomalias, como oligodrâmnio (diminuição do líquido amniótico) e deformidades esqueléticas. O tratamento da hipertensão em gestantes deve ser cuidadosamente monitorado e pode incluir os medicamentos anti-hipertensivos, como a alfa-metildopa, considerada segura e frequentemente utilizada.
O labetalol também é uma opção segura e o ifedipino, usado em situações de emergência hipertensiva, além do cloridrato de hidralazina, utilizado em crises hipertensivas. A pressão arterial deve ser monitorada regularmente, e o tratamento deve ser ajustado conforme necessário. A meta é manter a pressão arterial diastólica em torno de 85 mmHg.
O tratamento não medicamentoso inclui modificações no estilo de vida, como dieta saudável, controle de peso e redução do estresse. Em casos de hipertensão grave (PAS = 160 mmHg ou PAD = 110 mmHg), a internação pode ser necessária para controle intensivo.
A hipertensão na gestação é uma condição que requer atenção especial e manejo adequado para minimizar riscos. O tratamento deve ser individualizado, levando em consideração a gravidade da hipertensão e a saúde da mãe e do feto.
O MS-PCDT: Hipertensão Arterial Sistêmica garante que a hipertensão arterial sistêmica é uma doença crônica de causa multifatorial, caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA), geralmente não associada a sintomas. Contudo, frequentemente, a HA é associada às alterações funcionais ou estruturais de órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais.
Além de ser causa direta de cardiopatia e nefropatia hipertensivas, a HA é fator de risco linear e contínuo para doenças decorrentes de aterosclerose e trombose, que se manifestam, predominantemente, por doença isquêmica cardíaca, cerebrovascular, vascular periférica e renal, assim como de morte prematura. Em decorrência de cardiopatia hipertensiva e isquêmica, é também fator etiológico de insuficiência cardíaca e fibrilação atrial.
Além disso, quando iniciada em fases precoces da vida, a HA é um fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer e demência vascular. Dessa forma, a HA é uma das causas relacionadas à maior redução da expectativa de vida e da qualidade de vida dos indivíduos.
Estima-se que o tratamento e o acompanhamento (hospitalizações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos) de adultos com HAS representaram um custo de, aproximadamente, de R$ 2 bilhões em 2018 para o SUS Além da carga financeira, a HA é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.
De acordo com estimativas, entre 1990 e 2019, 1,28 bilhão de pessoas entre 30 anos e 79 anos em todo o mundo apresentavam hipertensão, representando 33% da população nessa faixa etária. No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, 23,9% de indivíduos com 18 anos ou mais de idade relataram diagnóstico para HA, o que equivale a 38,1 milhões de pessoas.
A HA também é maior entre mulheres (26,4%) do que em homens (21,1%), e aumenta com a idade, tendo sido referida por 56,6% entre as pessoas de 65 anos a 74 anos, e 62,1% entre as pessoas com 75 anos ou mais de idade. Em 2021, foram notificados 39.966 óbitos atribuíveis à HA no Brasil.
Os fatores de risco específicos para HA incluem características genética, idade (quanto maior a idade, maior o risco), sexo masculino, etnia (preta), sobrepeso ou obesidade, hiperglicemia, ingestão elevada de sódio e reduzida de potássio, consumo elevado de bebidas alcoólicas, tabagismo, inatividade física e a apneia obstrutiva do sono. Determinantes sociais como a urbanização, baixa renda familiar anual, baixa escolaridade, residir em bairros desfavorecidos, em área com escassez de profissionais de saúde e as condições de moradia estão envolvidos no desenvolvimento da HA e doenças cardiovasculares (DCV).
Além disso, alguns medicamentos e drogas ilícitas têm potencial de elevar a PA ou dificultar seu controle, tais como os inibidores da monoaminaoxidase, simpaticomiméticos, como descongestionantes nasais (fenilefrina), antidepressivos tricíclicos (imipramina e outros), hormônios tireoidianos, contraceptivos orais, anti-inflamatórios não esteroides, carbexonolona e liquorice, glicocorticoides, ciclosporina, eritropoietina, drogas ilícitas (cocaína, Cannabis sativa, anfetamina e 3,4-metilenodioximetanfetamina - MDMA, entre outras.