Os problemas médicos da ansiedade
Redação
Os transtornos de ansiedade incluem as características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionados. Medo é a resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de ameaça futura. Os transtornos de ansiedade se diferenciam do medo ou da ansiedade adaptativos por serem excessivos ou persistirem além de períodos apropriados ao nível de desenvolvimento.

Os problemas médicos relacionados à ansiedade incluem uma variedade de transtornos que podem afetar tanto a saúde mental quanto a saúde física. O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) caracteriza-se por preocupação excessiva e persistente sobre diversas questões, acompanhada de sintomas físicos como tensão muscular, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, entre outros.
O transtorno do pânico: envolve as crises súbitas de medo intenso, que podem incluir sintomas como palpitações, sudorese, falta de ar, dor no peito, e sensação de morte iminente. As fobias são os medos intensos e irracionais de objetos ou situações específicas, como fobia social (medo de situações sociais) e agorafobia (medo de estar em lugares onde a fuga pode ser difícil).
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) caracteriza-se por pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos que a pessoa sente que deve realizar para aliviar a ansiedade. O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pode ocorrer após a exposição a um evento traumático, levando a sintomas como flashbacks, pesadelos e severa ansiedade.
Os transtornos de ansiedade podem se manifestar com sintomas físicos, incluindo o aumento da frequência cardíaca, sudorese excessiva, tontura ou sensação de desmaio, dificuldades respiratórias e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal e diarreia. A ansiedade frequentemente coexiste com outros transtornos, como a depressão, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos de conduta e o uso de substâncias.
Quando não tratada, a ansiedade pode levar a sérios prejuízos sociais, educacionais e ocupacionais, afetando a qualidade de vida e aumentando o risco de ideação suicida, especialmente em adolescentes. O CRM-PE: PARECER 25 afirma que o transtorno de ansiedade de separação, o transtorno de ansiedade social (fobia social) e o transtorno obsessivo-compulsivo são com frequência acompanhados de preocupações que podem mimetizar aquelas descritas no transtorno de ansiedade generalizada.
Os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos psiquiátricos mais comuns em crianças e adolescentes. Quase 7% dos jovens em todo o mundo têm um transtorno de ansiedade; prevalência estimada ao longo da vida nos Estados Unidos aproxima-se de 20% a 30%.
Para transtornos de ansiedade específicos entre jovens de 13 a 18 anos, taxas de prevalência ao longo da vida é de aproximadamente 20% para fobia específica, 9% para ansiedade social, 8% para ansiedade de separação e 2% cada para agorafobia, pânico e ansiedade generalizada. As sequelas da ansiedade na população infantil e em adolescentes, quando não adequadamente tratada, acarretam múltiplos distúrbios, incluindo sérios prejuízos sociais, educacionais, ocupacionais, de saúde e de saúde mental que se estendem desde a infância até a idade adulta.
Entre os adolescentes com ansiedade, 9% relataram ter tido ideação suicida e 6% tentaram suicídio, sendo a comorbidade entre transtorno depressivo e transtorno de pânico e transtorno de ansiedade generalizada proporcionando um maior risco. No que diz respeito a tratamento, o foco principal está no seu planejamento que deriva dos diagnósticos e formulação clínica.
Para tratamento de qualidade é importante um projeto terapêutico individualizado, centrado na criança e na família, onde haja segurança, eficácia, eficiência e viabilidade, sempre priorizando gravidade, sofrimento e prejuízo associados a cada transtorno diagnosticado, a fim de aumentar a probabilidade de envolvimento e adesão ao plano terapêutico. Em vasta literatura, podem-se observar também restrições com relação a determinadas terapêuticas que ainda necessitam de mais pesquisas, principalmente, ensaios clínicos randomizados, bem conduzidos, confirmando a eficácia do procedimento, e assim, os reais beneficios nos prováveis efeitos da sua utilização clínica quando comparadas aos tratamentos já consagrados disponibilizados.