Publicado em 27 jan 2026

Os danos causados pela doença de Fabry

Redação

A doença de Fabry, também conhecida como doença de Anderson Fabry, é um erro inato do metabolismo (EIM), uma esfingolipidose, de herança ligada ao X (Xq22.1), ocasionada pela deficiência da enzima lisossômica a-galactosidase A (aGAL-A). Mutações no gene GLA, que codifica a proteína a-galactosidase A (GLA, 300644), levam à deficiência da enzima lisossômica aGAL-A.

A doença de Fabry (DF) é uma condição genética rara, caracterizada pela deficiência da enzima lisossômica a-galactosidase A, resultando no acúmulo de globotriaosilceramida (GL-3) em diversos órgãos e tecidos. As manifestações clínicas da doença são variadas e podem incluir crises de dor (acroparestesias) nas extremidades; alterações sensoriais, como perda auditiva e zumbido; lesões cutâneas vasculares que aparecem como manchas vermelhas ou azuladas, frequentemente localizadas entre o umbigo e os joelhos; e a córnea verticilata ou opacidade corneana que pode ser um sinal indicativo da doença.

Pode incluir sintomas como dor abdominal, diarreia e distensão abdominal, além de hipertrofia ventricular esquerda, arritmias e risco aumentado de insuficiência cardíaca e infarto do miocárdio, proteinúria e hematúria, frequentemente detectadas na adolescência, podendo levar à insuficiência renal crônica. A penetrância da doença é alta em homens, com quase 100% apresentando complicações, enquanto em mulheres, a penetrância é intermediária, com 50 a 70% apresentando manifestações.

O acúmulo de GL-3 ocorre principalmente nas células do epitélio renal, células endoteliais vasculares, cardiomiócitos e neurônios, refletindo a diversidade das manifestações clínicas. O tratamento pode incluir terapia de reposição enzimática com alfagalsidase ou beta-agalsidase, visando reduzir os níveis de GL-3 e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O MS-PCDT: Doença de Fabry descreve que é uma doença muito comum no mundo. A incidência de indivíduos hemizigotos para a doença situa-se em 1 para cada 117.000 indivíduos nascidos vivos. A sua prevalência é estimada entre 0,21 a 0,85 casos por 100.000 habitantes, em estudos realizados no Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Países Baixos.

No entanto, a maioria destes estudos não considera as mulheres acometidas pela DF, visto que as manifestações clínicas são muito variáveis e o diagnóstico pela dosagem da aGAL-A não é um bom indicador neste grupo. Assim, as mulheres são identificadas apenas quando um paciente masculino é diagnosticado na família.

No Brasil, não há estudos sobre incidência ou prevalência da DF. A DF tem um alto grau de penetrância em homens, sendo que quase 100% deles apresentam complicações da doença. Já em mulheres, a penetrância é considerada intermediária e em torno de 50 a 70% das mulheres com mutações no gene apresentam manifestações de DF.

A deficiência da aGAL-A, por sua vez, leva ao acúmulo de glicoesfingolipídios, principalmente a globotriaosilceramida (GL-3 ou Gb3), em todo o organismo. Esta alteração genética manifesta-se em todos os subtipos celulares, mas o grau de envolvimento varia muito entre os diferentes tipos de células e órgãos, refletindo a heterogeneidade das taxas de metabolismo de esfingolipídios nas células e tecidos do nosso corpo.

A GL-3 acumula-se, especialmente, nas células do epitélio renal, nas células endoteliais vasculares, células do músculo liso, cardiomiócitos e neurônios do sistema nervoso autônomo. Assim, as manifestações clínicas decorrentes do acúmulo de GL-3 ocorrem principalmente no endotélio vascular da pele, coração, fígado, rins e sistema nervoso central (SNC). Pode, ainda, haver alterações auditivas, vestibulares, oftalmológicas e do trato gastrointestinal.

A doença é sistêmica e se manifesta com insuficiência renal, doença cardíaca, doença cerebrovascular, neuropatia periférica, perdas sensoriais, perda auditiva, lesões de pele típicas (angioqueratomas), distúrbios gastrointestinais, como diarreia e dor abdominal. Outros achados comuns são córnea verticilada (opacidade corneana assintomática); hipo ou anidrose; intolerância ao calor, ao frio e ao exercício.

A manifestação mais comum da DF é a neuropatia dolorosa, incluindo as acroparestesias intermitentes, as denominadas “crises de Fabry”, com dor aguda que dura de horas a dias. Os achados neuropatológicos indicam que a dor é resultado da neurodegeneração das fibras nervosas das raízes dos gânglios dorsais, associadas à degeneração axonal das fibras curtas.

A DF é dividida nas formas clássica e tardia. Na forma clássica, a mais frequente, os sinais e sintomas se iniciam na infância ou adolescência e evoluem progressivamente até a vida adulta. Nesta, os pacientes iniciam com acroparestesias entre os 5 e 10 anos de idade e na maioria deles, quando adultos, desenvolvem doenças renal e cardíaca graves.

Já na forma tardia, os sintomas iniciam no início da vida adulta e podem evoluir gradativamente. As alterações cardíacas podem incluir hipertrofia ventricular esquerda (HVE), doença valvular (particularmente, insuficiência mitral), doença arterial coronariana e anormalidades de condução, levando com o tempo à insuficiência cardíaca.

Artigo atualizado em 15/01/2026 11:27.
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