Os problemas clínicos do câncer da laringe
Redação
As células do epitélio da laringe são as responsáveis pela constituição do tecido que forra a laringe. No seu estado normal estas células crescem e dividem-se em novas células, formadas à medida que vão sendo necessárias, e a este processo chama-se regeneração celular.

O câncer de laringe pode ocasionar rouquidão. Na apresentação clínica mais típica das neoplasias de laringe, podem ocorrer: rouquidão, disfagia, odinofagia, dispneia, otalgia, perda de peso e massa cervical detectável ao exame físico.
O diagnóstico é feito por exame clínico com nasoscopia e laringoscopia e biópsia tumoral. Na avaliação inicial, o tecido epitelial é mais sensível que o exame físico e métodos endoscópicos para definir tamanho tumoral e relação com estruturas profundas.
Em tumores de laringe, o tratamento pode incluir a cirurgia, a adioterapia e a radioquimioterapia. Para doença localizada, recomenda-se a irradiação do sítio primário para preservação do órgão em estágio I ou em estágio II não elegível para cirurgia.
A ressecção pode ser: conservadora: cordectomia, laringectomia frontal, laringectomia lateral, laringectomia frontolateral, epiglotectomia e laringectomia parcial supraglótica; radical: laringectomia supracricoide com crico-hioide-epiglotepexia, laringectomia quase total e laringectomia total
Nos casos de tumor da glote e supraglote, pode ser indicada ressecção endoscópica por laser de CO2. Em doença avançada, a cirurgia é a modalidade principal para câncer de laringe, com possibilidade de laringectomia quase total ou laringectomia total.
A quimioterapia prévia pode ser considerada em câncer de laringe com intenção de preservação de órgão, em pacientes que de outra forma seriam candidatos à laringectomia total, sem invasão extensa da cartilagem laríngea, quando o doente for inapto para radioquimioterapia ou quando o tratamento combinado não estiver imediatamente disponível. No seguimento após cirurgia ou radioquimioterapia, recomenda-se nasofibroscopia, laringoscopia e radiografia de tórax com frequência mínima trimestral nos primeiros dois anos e semestral no 3º, 4º e 5º anos.
Recomenda-se vigilância clínica permanente para um segundo tumor maligno primário do trato aerodigestivo e para câncer de pulmão no câncer de laringe. Fatores de risco citados no contexto incluem: tabagismo, etilismo, doença do refluxo gastroesofágico e HPV tipos 16 e 18.
O MS-PCDT: Câncer de Cabeça e Pescoço garante que o carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço (CECP) é um conjunto de neoplasias malignas de diferentes localizações nessa área do corpo humano e se configura como uma das principais causas de morbidade e mortalidade por neoplasia maligna no Brasil, pois a maioria dos casos é diagnosticada em fases tardias. O tabagismo é o mais importante fator de risco para esse grupo de doenças, com risco atribuível de 50% em estudos prospectivos longitudinais.
Embora as taxas de fumantes estejam diminuindo no país, elas permanecem elevadas entre indivíduos que são também os mais afetados pelo CECP – os estratos menos educados e mais pobres da população em geral. Depois do tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas é o comportamento mais associado ao risco para CECP, quer em termos de quantidade quer em termos de duração.
Importa notar que a magnitude do risco devido à interação entre o consumo de álcool e o tabagismo sugere efeito supra-aditivo, sendo os riscos maiores observados entre indivíduos com alto consumo simultâneo de álcool e de tabaco. Informações de Registros de Câncer de Base Populacional e de Registros Hospitalares de Câncer dão conta que o CECP no Brasil é mais comum entre homens, com idade entre 40 e 69 anos, tabagistas ou etilistas.