Fortalece-se a inteligência artificial, mas e a inteligência natural?
Redação
Nunca foi tão fácil parecer produtivo. A inteligência artificial (IA) traz consigo hoje um paradoxo incômodo: implementa-se ferramentas para reduzir o trabalho burocrático, mas por outro lado crescem os casos de esgotamento mental e uma dependência de respostas prontas. O que será da inteligência natural daqui para frente?

Marco Silva e Silva –
Nunca foi tão fácil parecer produtivo. E, talvez por isso, nunca tenha sido tão importante continuar pensando por conta própria.
Sou um entusiasta declarado e usuário diário da inteligência artificial (IA). Defendo seu potencial inquestionável de eliminar tarefas repetitivas, acelerar processos e abrir espaço para o pensamento estratégico.
Contudo, o debate sobre a IA há muito tempo deixou de ser exclusividade dos departamentos de tecnologia para ocupar o centro da nossa rotina corporativa, trazendo consigo um paradoxo incômodo: implementamos ferramentas em larga escala para reduzir o trabalho burocrático e aliviar a pressão sobre as equipes, mas o que testemunhamos ao redor são recordes de esgotamento mental, ansiedade e uma crescente dependência de respostas prontas. O problema não reside na tecnologia em si, mas na forma passiva como estamos reagindo a ela, trocando o esforço analítico pela mera gestão de comandos e terceirizando a capacidade de reflexão.
Essa inquietação ganha contornos científicos quando revisitamos o chamado Efeito Flynn, que documentou o a...