Os problemas clínicos da síndrome de Estocolmo
Redação
A síndrome de Estocolmo é um fenômeno psicológico complexo, obscurece as linhas entre vítima e captor, empatia e coerção. Embora não seja oficialmente reconhecida como um transtorno mental distinto, suas manifestações permeiam vários diagnósticos, como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e vínculo traumático.

A síndrome de Estocolmo é um fenômeno psicológico no qual reféns ou vítimas de abuso desenvolvem um vínculo emocional com seus captores ou agressores. De acordo com várias diretrizes médicas, incluindo a classificação internacional de doenças (CID) (1) e o manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), a Síndrome de Estocolmo não é oficialmente reconhecida como um transtorno mental distinto.
No entanto, suas características são frequentemente reconhecidas em outros diagnósticos, como o TEPT ou como um subtipo de vínculo traumático. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vinculação traumática, ou síndrome de Estocolmo, é uma condição na qual a vítima desenvolve um forte vínculo emocional com seu agressor como estratégia de sobrevivência.
O estudo International Classification of Diseases, Eleventh Revision (ICD-11), World Health Organization (WHO) 2019/2021. 6B40 Post traumatic stress disorder. Licensed under Creative Commons Attribution-NoDerivatives 3.0 IGO licence (CC BY-ND 3.0 IGO) garante que isso pode incluir sentimentos de gratidão por ter conseguido sobreviver, identificação com o agressor e defesa ou apoio às ações do agressor. O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição) menciona elementos da Síndrome de Estocolmo no diagnóstico de TEPT.
As vítimas de cativeiro prolongado ou abuso podem apresentar sintomas como entorpecimento emocional, evitação de estímulos associados ao trauma e uma percepção distorcida do agressor. A CID-11, a versão mais recente da Classificação Internacional de Doenças, também não reconhece a Síndrome de Estocolmo como um diagnóstico separado.
Em vez disso, ela é incluída na categoria mais ampla de reação ao estresse grave. Essa classificação reflete o entendimento de que a síndrome é um mecanismo de enfrentamento em resposta a uma situação extremamente estressante.
Em resumo, é uma resposta psicológica que pode acontecer em pessoas que encontram-se em situação de tensão, como no caso de sequestros, prisão domiciliar ou situações de abuso, por exemplo, fazendo com que a vítima, de forma subconsciente, estabeleça simpatia ou uma conexão mais pessoal e laços emocionais de amizade ou afeto com o agressor, ao invés de medo ou repulsa, como forma de preservar a vida.
Essa síndrome foi primeiramente descrita em 1973 após o sequestro de um banco em Estocolmo, na Suécia, em que as vítimas estabeleceram laços de amizade com os sequestradores, de modo que acabaram por visitá-los na prisão, além de afirmarem que não houve qualquer tipo de violência física ou psicológica que pudesse sugerir que suas vidas estavam em perigo.
O tratamento da síndrome de Estocolmo é feito através da psicoterapia, para ajudar a aliviar os sintomas causados pelas situações traumáticas, como ansiedade ou depressão, além de ajudar a entender o próprio comportamento e desenvolver mecanismos de enfrentamento saudáveis. Ao longo do tempo, devido aos laços emocionais criados, os pequenos atos de gentileza por parte dos agressores, por exemplo, tendem a ser ampliados pelas pessoas que possuem a Síndrome, o que faz com que sintam-se mais seguras e tranquilas diante da situação e que qualquer tipo de ameaça seja esquecida ou desconsiderada.