A nova lavagem de dinheiro está nos influenciadores digitais e no negócio das rifas
Redação
O poder e a monetização nas redes sociais abriram espaço para novas formas de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e enriquecimento ilícito. Influenciadores, muitas vezes sem CNPJ ou controle contábil, movimentam grandes valores via pix, criptomoedas e plataformas estrangeiras, aproveitando brechas na legislação e disfarçando rifas e sorteios ilegais como entretenimento. A falta de regulação e de transparência nesse mercado exige a adoção urgente de medidas de compliance e responsabilidade fiscal para coibir práticas criminosas travestidas de popularidade digital.

Patricia Punder –
Durante décadas, o poder econômico e político era medido em cargos, patrimônio e conexões institucionais. Hoje, mede-se também em seguidores, engajamento e alcance digital.
Os influenciadores digitais ocupam um papel ambíguo, onde são simultaneamente marcas, ídolos e empresas, mas muitas vezes operam sem CNPJ, sem contabilidade e sem as obrigações fiscais que o restante da sociedade cumpre. A popularização das redes sociais criou um mercado paralelo, onde a atenção virou moeda e a reputação, um ativo negociável.
O problema é que no mesmo espaço em que floresce o empreendedorismo digital, florescem também novos mecanismos de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e enriquecimento ilícito, todos fora do alcance imediato do Estado. Rifas milionárias, “doações” de seguidores, sorteios beneficentes e lives que movimentam milhares de reais são, para muitos influenciadores, fontes de renda principais. Em alguns casos, tornaram-se verdadeiros modelos de negócio, mas sem lastro jurídico, compliance e supervisão financeira.
A sensação de impunidade é reforçada pelo poder social, influenciadores são admir...