A confiabilidade e a qualificação de peças produzidas por manufatura aditiva
Redação
Garantir que uma peça fabricada aditivamente seja confiável vai muito além de imprimir bem. A literatura reporta a existência de quase 130 parâmetros de processo que influenciam a qualidade final em tecnologias de deposição metálica, especialmente nos processos powder bed fusion (PBF) e directed energy deposition (DED). Esses parâmetros abrangem desde o design e a matéria-prima até o equipamento, software, operadores e etapas de pós-processamento. Fatores como calibração das máquinas, refinamento de parâmetros de processamento, controle de qualidade dos pós-metálicos e tratamentos térmicos são fontes de variabilidade que tornam a repetibilidade e a confiabilidade grandes desafios da tecnologia.

Gustavo Daniel Donatelli e Pedro Yoshito Noritomi –
A manufatura aditiva (MA), também chamada de impressão 3D, deixou de ser apenas uma promessa futurista para se tornar parte do mainstream da indústria global. Nos últimos anos, a tecnologia ganhou enorme visibilidade, alimentada pelo potencial em transformar cadeias produtivas, acelerar a inovação e democratizar a fabricação de produtos.
Hoje, mais do que uma tendência emergente, a MA é reconhecida como uma ferramenta estratégica para setores de alta complexidade. Relatórios internacionais indicam que o mercado global de MA segue em forte expansão. O Wohlers Report 2025, publicado pela ASTM, estima que o setor movimentou cerca de US$ 21,9 bilhões em 2024, com projeção de atingir US$ 115 bilhões até 2034, impulsionado pela crescente adoção industrial em setores como aeroespacial, energia e saúde.
No contexto brasileiro, o mercado de MA também apresenta crescimento expressivo, tendo gerado aproximadamente US$ 1,19 bilhão em 2023, com expectativa de alcançar US$ 4,44 bilhões até 2030 — o que representa uma taxa média anual de expansão de 20,8 % no período de 2024 a ...