Falar o óbvio virou tabu corporativo e isso traz riscos para a governança
Redação
Um problema recorrente nas empresas, que é a dificuldade de tratar questões com clareza, substituindo o óbvio por uma linguagem mais branda e sofisticada. Essa prática, ao suavizar falhas e evitar o enfrentamento direto, dilui responsabilidades, adia decisões e fragiliza a governança. Mais do que um aspecto de comunicação, Patricia defende que dizer o que precisa ser dito de forma objetiva é essencial para garantir integridade, responsabilização e eficácia na gestão.

Patricia Punder –
Dizer o óbvio, no ambiente corporativo, deixou de ser algo natural, passando a ser evitado em muitos casos, e não por desconhecimento, mas pelo desconforto que provoca. Existe uma tendência recorrente de substituir a objetividade por construções mais aceitáveis, como se a forma pudesse neutralizar o conteúdo.
Ao longo da minha atuação, tenho observado um padrão que se repete: o afastamento da clareza justamente quando ela exige posicionamento. O problema não está na falta de informação, mas na escolha de não a nomear como ela é.
Processos que não funcionam deixam de ser tratados como falhas e passam a ser descritos como algo que “pode evoluir”, fazendo com que problemas concretos virem “pontos de atenção”, onde situações que exigiriam ação imediata são deslocadas para um campo mais difuso, onde a urgência simplesmente desaparece.
E, nesse movimento, algo importante acontece: a linguagem deixa de ser instrumento de gestão e passa a funcionar como mecanismo de proteção, não é só uma escolha de palavras, é uma forma de evitar o enfrentamento direto, uma tentativa de lid...