As causas clínicas da artrite inflamatória
Redação
A artrite inflamatória faz parte de um conjunto de doenças que afetam o sistema imune e, por isso, os sistemas de defesa do corpo atacam os tecidos do próprio organismo em vez atacarem microrganismos ou substâncias externas. Estas patologias são conhecidas como doenças autoimunes.

A artrite inflamatória é um grupo de doenças caracterizadas por inflamação nas articulações, podendo apresentar diferentes subtipos, critérios diagnósticos, manifestações clínicas e tratamentos específicos. A artrite idiopática juvenil (AIJ) caracteriza-se por artrite crônica com duração superior a seis semanas.
Os subtipos incluem AIJ sistêmica (mais grave, com manifestações sistêmicas como febre e risco de síndrome de ativação macrofágica), AIJ oligoarticular (1 a 4 articulações nos primeiros 6 meses), poliarticular, entre outros. Diagnóstico clínico baseado em sinais inflamatórios articulares (dor, aumento de volume, limitação de movimento).
Exames laboratoriais incluem hemograma, VHS, PCR. Monitoramento com índices como JADAS para quantificar atividade da doença.
Tratamento envolve anti-inflamatórios, medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) e monitoramento rigoroso. A artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune, com destruição articular progressiva.
Diagnóstico baseado em critérios do ACR 1987 e ACR/EULAR 2010, que consideram rigidez matinal, número e simetria das articulações acometidas, fator reumatoide, anticorpos anti-CCP, provas de atividade inflamatória e duração dos sintomas. Manifesta-se por poliartrite simétrica, com sinais inflamatórios e deformidades articulares em fases avançadas.
Exames de imagem (radiografia, ultrassonografia, ressonância magnética) auxiliam no diagnóstico e monitoramento. Tratamento inclui anti-inflamatórios, glicocorticoides, imunossupressores e MMCDs (metotrexato, leflunomida, sulfassalazina, biológicos).
Monitoramento e ajuste terapêutico são essenciais para controle da doença.
A artrite psoriásica (AP) é uma doença inflamatória sistêmica associada à psoríase. Manifestações incluem acometimento articular periférico (oligoarticular, poliarticular, distal, mutilante) e axial, entesites e dactilite.
Diagnóstico baseado nos critérios CASPAR, que consideram psoríase, alterações ungueais, fator reumatoide negativo, dactilite, entre outros. Tratamento envolve AINEs, glicocorticoides, MMCDs sintéticos e biológicos, com acompanhamento multidisciplinar.
A artrite reativa (ARe) o ocorre após infecção geniturinária ou intestinal. Manifesta-se geralmente como oligoartrite aguda assimétrica de membros inferiores.
Critérios diagnósticos do ACR incluem artrite com características específicas e infecção sintomática precedente. Pode apresentar manifestações mucocutâneas e extra-articulares.
Avaliação clínica e laboratorial são importantes para diagnóstico e monitoramento. Diagnóstico e Avaliação Geral da Artrite Inflamatória podem ser feitos pela identificação clínica de inflamação articular (dor, edema, calor, perda funcional).
Contagem e caracterização das articulações acometidas (mono, oligo, poliarticular; simétrica ou assimétrica). Exames laboratoriais para avaliação de inflamação (VHS, PCR) e autoanticorpos (fator reumatoide, anti-CCP).
Exames de imagem para avaliação estrutural e inflamatória. Diagnóstico diferencial com outras causas de artrite e artropatias.
O tratamento envolve o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), glicocorticoides, imunossupressores e MMCDs. Monitoramento contínuo para ajuste terapêutico e prevenção de complicações. Abordagem multidisciplinar, incluindo fisioterapia e suporte psicossocial.
O MS-PCDT: Artrite Reativa garante que a artrite reativa (ARe) pertence ao grupo das espondiloartrites (EpA), as quais são doenças reumáticas crônicas que afetam articulações periféricas e axiais, com características clínicas, radiológicas e genéticas semelhantes. As EpA integram um grupo constituído das seguintes doenças: Espondilite Anquilosante (EA), Artrite Psoríaca (AP), Espondiloartrite Enteropática (AE), Artrite Relacionada à Entesite (ARE - forma juvenil) e a Espondiloartrite Indiferenciada.
A ARe é definida como uma sinovite estéril imunomediada que se desenvolve em até 4 semanas após infecções gastrointestinais ou genitourinárias, causadas por um entre os seguintes patógenos: Chlamydia trachomatis, Yersinia (principalmente Y. enterocolítica e Y. pseudotuberculosis), Salmonella sp., Shigella (particularmente S flexneri), Campylobacter jejuni, Escherichia coli e Clostridioides difficile.
Classicamente se manifesta por quadro de mono- ou oligoartrite (até 4 articulações acometidas) assimétrica estéril, em particular de membros inferiores, e que na maioria das vezes é transitória. As artrites que ocorrem após infecções estreptocócicas, virais ou por borrélias não fazem parte do grupo das ARe e devem ser denominadas de artrites reacionais ou relacionadas a infecções.
São também exemplos de artrite reacional os quadros articulares pós-infecção pelo chikungunya e a artrite que pode acometer pacientes submetidos à terapia intravesical com extrato do BCG (bacilo de Calmette-Guerin). A comprovação do quadro infeccioso em caso de ARe pode ser difícil, porque em muitos pacientes o quadro infeccioso é assintomático, sobretudo quando o foco é genitourinário, particularmente nas mulheres.
Além disso, as manifestações musculoesqueléticas podem acontecer depois que o evento infeccioso gastrointestinal já estiver resolvido. Pode haver, ainda, sintomas gerais inespecíficos (mal-estar geral, febre e fadiga). O acometimento poliarticular ocorre em 20%-30% dos casos, e podem haver manifestações mucocutâneas, que se associam à presença do antígeno leucocitário humano B27 (HLA-B27).
O subtipo de ARe que se apresenta como de artrite, conjuntivite e uretrite era denominado Doença de Reiter, termo que não é mais utilizado, embora ainda constante da CID-10. A ARe é uma doença infrequente, e os poucos estudos epidemiológicos sobre ela são heterogêneos. A sua incidência é provavelmente subestimada, uma vez que casos leves são subdiagnosticados. No Brasil, em 2010 , de um total de 1.472 pacientes do Registro Brasileiro de Espondiloartrites (RBE), apenas 49 (3,3%) foram classificados como Are.