A indústria brasileira pode ficar sem o conhecimento de quem opera a fábrica
Redação
Existe um ativo dentro das fábricas que não aparece no balanço, mas pode levar décadas para ser construído: o conhecimento de quem conhece a operação na prática. Com aposentadorias, rotatividade e dificuldade de formação de novos profissionais, muitas indústrias começam a enfrentar um risco silencioso: perder experiências, aprendizados e soluções acumuladas ao longo de anos. Deve-se preservar o conhecimento operacional que se tornou uma questão estratégica e como tecnologias como inteligência artificial e realidade aumentada podem ajudar a transformar a experiência em memória organizacional.

Marcel Farto -
Durante décadas, a indústria brasileira investiu em máquinas, automação, expansão da capacidade produtiva e modernização de plantas. No entanto, existe um ativo ainda mais difícil de substituir, que raramente aparece nos balanços financeiros: o conhecimento acumulado por quem conhece a operação na prática.
Esse conhecimento está na capacidade de identificar uma anormalidade pelo comportamento de uma máquina, interpretar uma falha recorrente, realizar o ajuste fino de um equipamento ou tomar uma decisão durante um desvio de processo. Está, sobretudo, na experiência de quem sabe como agir quando o procedimento formal não oferece todas as respostas.
O problema é que esse patrimônio corre o risco de desaparecer. Aposentadorias, rotatividade de profissionais e dificuldades para formar novos operadores fazem com que décadas de conhecimento técnico deixem as fábricas sem que essa experiência seja devidamente registrada, organizada e transferida para as próximas gerações.
Quando um profissional experiente deixa a empresa, a indústria não perde apenas uma pessoa. Pode perder ata...