O custo invisível da liderança pode ser marcado por depressão e decisões sob pressão
Redação
Do ponto de vista psicanalítico, o líder não exerce apenas uma função operacional. Ele representa estabilidade, direção e tomada de decisão para toda a organização. Esse lugar simbólico, no entanto, impõe uma exigência silenciosa de controle permanente, na qual o sofrimento não encontra espaço legítimo de expressão. Na clínica, isso aparece de forma recorrente.

Lúcio Eroli –
Em um momento marcado por reestruturações, metas agressivas, pressão por resultados e ciclos constantes de incerteza econômica, cresce também um fenômeno menos visível nas empresas: o sofrimento psíquico de quem está no topo. A narrativa dominante ainda sustenta a ideia de que líderes precisam ser estáveis, resilientes e capazes de operar sob pressão contínua.
No entanto, dados recentes indicam um cenário mais complexo. Estudos publicados pelo Journal of Occupational Health Psychology apontam que cerca de 26% dos executivos apresentam sintomas compatíveis com depressão, enquanto dados do Calm’s Executive Mental Health Study mostram que uma parcela significativa relata níveis elevados de estresse e sobrecarga emocional.
Esse contexto revela um paradoxo central da liderança contemporânea: quanto maior o nível de responsabilidade, maior tende a ser o isolamento psíquico. Do ponto de vista psicanalítico, o líder não exerce apenas uma função operacional. Ele representa estabilidade, direção e tomada de decisão para toda a organização.
Esse lugar simbólico, no entanto, impõe uma exigência silenciosa ...