As sequelas da febre reumática
Redação
A febre reumática é uma doença autoimune que causa inflamação em vários tecidos do corpo, incluindo as articulações, a pele, o cérebro e o coração. Ela acontece após uma faringite ou amigdalite, provocada pela bactéria Streptococcus pyogenes, e que não foi tratada corretamente. A infecção por essa bactéria pode ocorrer em todas as idades.

A febre reumática é uma doença inflamatória que ocorre como uma complicação de infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococos beta-hemolíticos do grupo A), geralmente após faringoamigdalite estreptocócica. A penicilina G benzatina é o antibiótico de escolha para profilaxia primária e secundária da febre reumática, recomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia com Grau de Recomendação I e Nível de Evidência A.
A profilaxia com penicilina G benzatina pode ser administrada a cada 3 ou 4 semanas, sendo que a administração a cada 3 semanas está associada a melhor prognóstico, especialmente em pacientes com doença valvar mais grave. A penicilina V oral também é utilizada para profilaxia, e as cefalosporinas de 1ª geração, como a cefadroxila, são alternativas aceitáveis.
Estudos indicam que a cefadroxila é tão eficaz quanto a penicilina V no tratamento da faringoamigdalite por estreptococos do grupo A. A adesão ao esquema de profilaxia é importante para reduzir a incidência de infecções estreptocócicas e prevenir a recorrência da febre reumática.
A dose recomendada é de 1.200.000 unidades a cada 4 semanas. Em casos de múltiplas recorrências, lesão valvar grave ou recorrência com administração a cada 4 semanas, pode-se considerar a administração a cada 3 semanas.
O médico deve avaliar o benefício da frequência maior contra a aceitação do paciente ao procedimento. A febre reumática pode levar a lesões valvulares cardíacas, sendo importante a prevenção da recorrência.
A profilaxia adequada reduz a incidência de infecções estreptocócicas e melhora o prognóstico dos pacientes. A penicilina G benzatina apresenta liberação lenta e níveis séricos prolongados, o que favorece sua eficácia na profilaxia.
Enfim, os primeiros sintomas em geral são febre, edema (inchaço) e dores nas articulações (principalmente joelhos, cotovelos e tornozelos), cerca de duas semanas após uma infecção de garganta mal curada. Muitas vezes o paciente não consegue andar por causa da dor.
Quando atinge o coração, o paciente, em geral, sente cansaço constante, falta de ar e a sensação de coração disparado. A partir do diagnóstico da doença, é necessário usar anti-inflamatórios e tomar uma injeção intramuscular de penicilina benzatina em intervalos de até 21 dias, de acordo com o critério do médico para evitar novos episódios de amigdalite bacteriana.
A duração do tratamento com a penicilina depende da gravidade da lesão cardíaca, e deve ser realizada no mínimo até os 25 anos de idade. Interrompê-lo poderá ocasionar danos irreversíveis ao coração.
Embora seja uma doença de prevenção relativamente fácil — depende unicamente do tratamento adequado das amigdalites, que pode ser feito com a administração de uma única dose de penicilina benzatina — a febre reumática, uma vez estabelecida com lesão cardíaca grave, leva a internações repetidas, intervenções cirúrgicas cardiovasculares complexas e tratamento medicamentoso de difícil manejo, como o uso de anticoagulantes pelo resto da vida, influindo na capacidade de trabalho dos pacientes e seus responsáveis.
Isso leva a altos custos sociais direta ou indiretamente, portanto, uma simples dor de garganta, quando tratada de forma inadequada, pode levar a uma doença cardíaca grave, e até à morte. É de suma importância o diagnóstico precoce dos casos de amigdalite bacteriana entre crianças em idade escolar e o encaminhamento desses casos suspeitos para realização do tratamento mais indicado.