Os algoritmos também precisam de governança ou o novo papel do compliance officer
Redação
Diante da digitalização, a transformação do compliance, que deixa de ser uma função reativa e burocrática para assumir um papel estratégico nas empresas. Com o uso de IA e análise de dados, a área passa a atuar de forma preventiva, identificando riscos em tempo real e lidando com desafios como governança de dados, decisões automatizadas e segurança da informação. Nesse contexto, o compliance officer amplia sua atuação, combinando visão jurídica e entendimento tecnológico, e se torna peça-chave para viabilizar a inovação com ética, transparência e responsabilidade nas empresas.

Patricia Punder –
Durante muito tempo, a função de compliance dentro das empresas esteve associada a controles burocráticos, checklists intermináveis e auditorias que olhavam quase exclusivamente para o passado. Era uma atividade essencial, mas frequentemente vista como reativa, identificando problemas depois que eles já haviam ocorrido.
Esse modelo, no entanto, começa a se tornar insuficiente diante da velocidade com que as organizações operam no ambiente digital. A transformação tecnológica das empresas está mudando profundamente a própria natureza dos riscos corporativos, considerando que antes as preocupações giravam em torno de fraudes financeiras, conflitos de interesse ou descumprimento regulatório tradicional, e hoje os desafios incluem governança de dados, decisões automatizadas por inteligência artificial, privacidade, segurança da informação e riscos reputacionais que podem surgir em minutos nas redes digitais.
Nesse novo cenário, a área de compliance deixa de ser apenas uma guardiã de normas e passa a assumir um papel mais estratégico, interpretando riscos complexos em um ambiente altamente tecnológico...