Publicado em 05 mai 2026

As condições clínicas do descolamento da retina

Redação

A retina é uma camada de tecido do olho muito fina e sensível. A sua principal função é, de maneira simplificada, converter imagens luminosas em visão dentro do cérebro. O descolamento da retina acontece quando essa membrana se solta do interior do globo ocular, o que pode levar à degeneração celular e uma possível perda de visão, reversível ou irreversível, de acordo com a gravidade da doença.

O descolamento da retina é caracterizado por um plano de clivagem entre o epitélio neurossensorial e o epitélio pigmentar da retina, que permanece fixo à coroide enquanto as camadas neurais se separam. Pode ocorrer após traumas contusos ou penetrantes no olho, resultando em perda do campo visual.

Além disso, pode ser uma complicação pós-operatória em cirurgias oculares, como a troca de cristalino com finalidade refrativa (TCR) e cirurgia de catarata, com incidência variável dependendo do estudo e do perfil do paciente. Os fatores de risco para o descolamento de retina incluem o comprimento axial maior do olho, especialmente entre 25 a 28,9 mm, no sexo masculino, que apresenta quase duas vezes mais risco em alguns estudos, miopia alta (maior que 12 dioptrias).

Inclui ainda a presença de rupturas periféricas não tratadas, pacientes com histórico de trauma ocular e complicações associadas ao descolamento da retina podem incluir hemorragia vítrea, luxação do cristalino, endoftalmite, edema macular cistoide, entre outras.

O tratamento pode envolver cirurgia, como vitrectomia, especialmente em casos de descolamento tracional com comprometimento da mácula, descolamento misto (tracional e regmatogênico), ou hemorragia vítrea associada a rubeosis iridis. A decisão cirúrgica deve considerar o risco de atrofia ocular e o prognóstico visual.

Em relação a terapias medicamentosas, o uso de anti-VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) deve ser cauteloso em pacientes com descolamento de retina regmatogênico ou buraco macular, sendo recomendado suspender o tratamento nesses casos. Também é importante monitorar sinais de ruptura do epitélio pigmentar da retina, que pode ocorrer em pacientes com descolamentos grandes ou elevados do epitélio pigmentar.

O descolamento seroso da retina é uma condição relacionada, podendo ocorrer em pacientes tratados com certos medicamentos, como pemigatinibe, e requer monitorização oftalmológica regular, incluindo tomografia de coerência óptica (OCT). Em resumo, o descolamento da retina é uma condição grave que pode resultar de trauma, cirurgia ou outras patologias oculares, exigindo avaliação cuidadosa dos fatores de risco, monitoramento clínico e, quando indicado, intervenção cirúrgica para preservar a visão.

Normalmente, a pessoa percebe um repentino aumento de pontos flutuantes, um súbito surgimento de flashes de luz, uma espécie de véu na frente da visão, ou perda repentina da visão. Os médicos fazem o diagnóstico observando o olho com um oftalmoscópio.

A maioria dos descolamentos de retina pode ser reparada, o que resulta em alguma restauração da visão se o procedimento for realizado logo após o descolamento. O descolamento da retina pode começar numa pequena área, geralmente como resultado de uma ruptura na retina (laceração ou, menos comumente, um furo).

A maioria dos descolamentos de retina pode ser solucionada. O cirurgião sela as rupturas com cirurgia a laser ou terapia de congelamento (crioterapia).

Para descolamentos de retina maiores, o cirurgião pode juntar a retina e a parede do olho ao colocar uma bandagem de silicone em torno do olho (chamada introflexão escleral) ou por remoção do humor vítreo atrás do cristalino e na frente da retina, em uma cirurgia chamada vitrectomia. É comum ser usada uma bolha de gás para manter a retina no lugar.

Para descolamentos menores, a cirurgia a laser pode prevenir o aumento no descolamento da retina ou a retina pode ser recolocada por meio de crioterapia e bolha de gás (um procedimento chamado retinopexia pneumática). Descolamentos que têm como causa uma doença que afeta a retina (como o diabetes) podem ser tratados com a vitrectomia.

Descolamentos causados por vazamento de líquido e que não envolvem uma ruptura na retina podem ser tratados com corticosteroides ou medicamentos que suprimem o sistema imunológico (imunossupressores, como metotrexato e azatioprina) administrados por via oral. Corticosteroides também podem ser administrados como um implante injetado no olho, que libera lentamente níveis constantes de um corticosteroide.

Artigo atualizado em 22/04/2026 09:37.
Imagem Rodapé

Target

Facilitando o acesso à informação tecnológica