Quando o documento mente ou as deepfakes da validação documental
Redação
O que diferencia a fraude atual das versões anteriores não é apenas o volume, mas a complexidade das técnicas empregadas. O relatório da Sumsub aponta um aumento de 180% no que classifica como fraudes sofisticadas, aquelas que combinam múltiplas camadas de ataque: identidades sintéticas montadas a partir de dados reais e fictícios, deepfakes multimodais que integram vídeo, áudio e documentos falsos, manipulação de telemetria de dispositivos e engenharia social coordenada.

Juliana Bauer Lomonaco Quinto –
Um gerente de operações recebe uma solicitação de abertura de conta. O rosto do solicitante aparece na tela durante a prova de vida, os documentos parecem legítimos, e o sistema retorna aprovação automática.
Semanas depois, a instituição descobre que nenhuma daquelas informações era real. O rosto foi sintetizado por inteligência artificial, os documentos foram forjados por modelos generativos e o indivíduo por trás da operação sequer existe.
Segundo o Identity Fraud Report 2025-2026, publicado pela Sumsub em novembro de 2025 com base na análise de mais de quatro milhões de tentativas de fraude, o uso de deepfakes e identidades sintéticas cresceu 126% no Brasil entre 2024 e 2025.
O país concentra quase 39% de todos as deepfakes detectadas na América Latina, e a taxa de ocorrência é cinco vezes maior do que nos Estados Unidos. O que diferencia a fraude atual das versões anteriores não é apenas o volume, mas a complexidade das técnicas empregadas.
O mesmo relatório da Sumsub aponta um aumento de 180% no que classifica como fraudes sofisticadas, aquel...