Um sistema coletivo de logística reversa envolve escala e eficiência para a indústria
Redação
A logística reversa deixou de ser apenas uma exigência legal para se tornar uma agenda estratégica para a indústria, destacando o papel dos sistemas coletivos na geração de escala, eficiência operacional, rastreabilidade e conformidade regulatória. Os avanços do setor no Brasil, os desafios ainda existentes e as oportunidades podem transformar essa obrigação em vantagem competitiva.

Robson Esteves –
A logística reversa deixou de ser apenas um requisito regulatório para se consolidar como uma agenda estratégica para a indústria brasileira. Desde a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), o país estabeleceu um princípio inequívoco: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e municípios são responsáveis pelo ciclo de vida completo dos produtos.
No caso dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, essa responsabilidade foi detalhada pelo Decreto nº 10.240/2020, que estruturou a implementação da logística reversa no setor e definiu metas, obrigações e mecanismos de comprovação. O desafio, no entanto, nunca foi apenas jurídico; é, sobretudo, operacional.
Diferentemente da logística tradicional, em que o fluxo de produtos é mais previsível e concentrado, a logística reversa lida com um cenário fragmentado, com resíduos dispersos em milhares de municípios, volumes irregulares e forte dependência do engajamento do consumidor. Sem escala, coordenação e inteligência logística, o sistema tende a ser ineficiente e, muitas vezes, economicamente inviáve...