Os sintomas clínicos da prisão de ventre
Redação
A constipação, conhecida popularmente como prisão de ventre, constipação intestinal ou intestino preguiçoso, é uma condição caracterizada pela dificuldade de evacuar. Uma queixa muito comum, que afeta aproximadamente 16% da população mundial, e está mais presente entre as mulheres.

A prisão de ventre, também conhecida como constipação intestinal, é um sintoma comum que pode ocorrer em diversas condições clínicas e pode ser um efeito adverso de vários medicamentos. Pode ser causada por alterações na motilidade intestinal, obstruções, uso de certos medicamentos, entre outros fatores.
Pode estar associada a desconforto abdominal, gases, sensação de evacuação incompleta e dificuldade para evacuar. Muitos medicamentos podem causar prisão de ventre como efeito colateral comum, incluindo: antipsicóticos como quetiapina, olanzapina, risperidona e clozapina; imunossupressores como micofenolato de mofetila e ciclosporina; bisfosfonatos como alendronato e pamidronato; anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) como ibuprofeno; e outros medicamentos diversos, conforme descrito em bulas e protocolos.
Em casos de constipação ocasional de origem inespecífica, podem ser utilizados produtos fitoterápicos, sendo importante evitar o uso prolongado de laxantes estimulantes sem orientação médica, pois podem causar diminuição da motilidade intestinal e outros efeitos adversos. Medidas gerais incluem hidratação adequada, aumento da ingestão de fibras e avaliação da necessidade de ajuste medicamentoso.
A avaliação clínica inclui inspeção, palpação e ausculta abdominal para identificar sinais de obstrução, distensão ou outras causas de prisão de ventre. A presença de sintomas associados, como dor abdominal, distensão, sangramento ou alterações no hábito intestinal, deve ser investigada para diagnóstico diferencial.
Existem duas causas principais: a constipação funcional, que é a mais comum e está relacionada à retenção fecal voluntária; e as causas orgânicas, como os distúrbios metabólicos (hipotireoidismo, fibrose cística, hipercalcemia, hipocalemia); os distúrbios neuropáticos (mielomeningocele, espinha bífida, paralisia cerebral e na doença de Hirschsprung); os distúrbios imunológicos (alergia proteína do leite de vaca, doença celíaca); e a obstipação por uso de opioides.
A constipação afeta o equilíbrio emocional da criança e sua socialização, além de poder apresentar complicações físicas como, a dor abdominal recorrente, a incontinência fecal, o sangramento retal, a enurese e a infecção/retenção urinária. Orientação em relação aos hábitos alimentares, uso de fibras suplementares, treinamento de toalete, abordagem farmacológica, desimpactação fecal e fisioterapia com o treinamento do relaxamento da musculatura do assoalho pélvico por meio do biofeedback eletromiográfico.
O bom funcionamento intestinal depende de três elementos inseparáveis, como a ingestão de água, o consumo de fibras e a prática de atividade física. A regularidade da atividade intestinal só é adequada quando estes três fatores são atendidos.
As fibras auxiliam na formação do bolo fecal e, em parceria com a quantidade de água ingerida e a atividade física, são responsáveis por estimular a atividade muscular intestinal. A forte tendência de consumo de alimentos industrializados pode agravar ou prejudicar o consumo diário de fibras.
Os alimentos industrializados são, em sua grande maioria, processados. O processamento acaba retirando alguns nutrientes do alimento, sendo as fibras, um deles.
Observe a rotulagem nutricional que especifica a quantidade de fibras disponível nos alimentos selecionados para o seu consumo. As frutas, os legumes e as verduras (por exemplo, mamão, tamarindo, laranja, ameixa, manga, folhas em geral) são alimentos in natura e ótimas fontes de fibras e micronutrientes, além de ter baixa densidade energética.
Os cereais integrais como arroz integral, pão integral, centeio, aveia, sementes de linhaça, farelo de aveia e trigo, dentre outros, também são ótimas alternativas para aumentar a quantidade de fibras ingeridas. Em casos raros, a obstipação pode ser um sinal de uma condição subjacente, designadamente, doenças auto-imunes como a esclerodermia, lúpus, ou ser consequência de doenças dos sistemas nervosos ou endócrino, como as doenças da tiróide, a esclerose múltipla, doença de Parkinson, AVC e lesões da medula.