Publicado em 19 mai 2026

As complicações médicas da elefantíase

Hayrton Prado

A filariose linfática ou elefantíase é uma doença parasitária crônica, considerada uma das maiores causas mundiais de incapacidades permanentes ou de longo prazo. É causada pelo verme nematoide wuchereria bancrofti e transmitida pela picada do mosquito cbulex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) infectado com larvas do parasita.

A elefantíase, conhecida no Brasil como filariose linfática humana, é causada pelo helminto wuchereria bancrofti. A transmissão ocorre por mosquitos do gênero Culex, nos quais as microfilárias se desenvolvem e atingem o estágio infectante.

Os vermes adultos vivem nos linfonodos e vasos linfáticos, e as microfilárias são encontradas no sangue periférico. No tratamento e controle da disseminação da filariose, a dietilcarbamazina apresenta resultados relativamente fracos e está associada a um elevado índice de reações adversas em comparação com a ivermectina.

A eficácia da ivermectina no tratamento da filariose tem sido demonstrada por vários estudos, sendo considerada uma opção terapêutica importante. Além disso, a fisioterapia pode auxiliar no manejo do linfedema e da elefantíase, e recomenda-se o uso de sapatos cômodos para evitar lesões nos pés, exercícios e elevação dos membros para evitar estase linfática.

O diagnóstico deve ser específico e detalhado, para descartar a hipótese de outras doenças. Os testes laboratoriais que comprovam a presença do verme parasita causador da doença são: exame direto em lâmina; hemoscopia positiva; e ultrassonografia, que pode demonstrar a presença de filarias nos canais linfáticos.

Outros testes, especialmente podem ser utilizados para triagem. Uma característica deste parasito é a periodicidade noturna das microfilárias no sangue periférico do hospedeiro.

O pico da parasitemia periférica coincide, na maioria das regiões. No Brasil, o horário preferencial de repasto do mosquito é entre 23h e 01h da manhã.

Durante o dia, essas formas se localizam nos capilares profundos, principalmente nos pulmões e, durante a noite, aparecerem no sangue periférico, com maior concentração em torno da meia-noite, decrescendo novamente até o final da madrugada. Orienta-se que, devido à filariose linfática estar em vias de eliminação no Brasil, seja realizada a identificação morfológica do parasito (classificação da espécie filarial) antes do tratamento específico com a dietilcarbamazina.

A droga de escolha é a DEC na forma de comprimidos, de 50mg da droga ativa, sua administração se dá por via oral e apresenta rápida absorção e baixa toxicidade. Esta droga tem efeito micro e macro filaricida, com redução rápida e profunda da densidade das microfilárias no sangue, por isso sua indicação é para aquelas pessoas com infecção ativa.

No Brasil, o perfil epidemiológico dessa doença foi estabelecido na década de 50, quando foram realizados inquéritos hemoscópicos em todo o país. Com base nos resultados desses inquéritos, foram identificados os focos, e eleitas áreas prioritárias para intervenção.

Essas áreas, um total de 11 cidades em 6 estados foram considerados então os focos de filariose no país. Desde então uma série de ações foram implantadas/implementadas com o propósito de dar combate a essa endemia.

Tais ações visavam à redução da infecção principalmente por meio da eliminação das fontes humanas de infecção, assim, milhares de exames hemoscópicos foram realizados anualmente nas populações residentes nas áreas endêmicas. Em seguida foram realizados tratamentos dos casos individuais ou tratamentos coletivos de acordo com situação epidemiológica do local, levando ao sucesso na eliminação da doença na maior parte do país.

Após anos de esforços, esta doença está em fase de eliminação no país. A área endêmica está restrita à Região Metropolitana de Recife, tendo o ano de 2017 como o último com identificação de caso confirmado.

Artigo atualizado em 08/05/2026 06:37.
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